14.6.12

"Antes de tudo, eu não te odeio. Só não gosto de você.
E sobre ele, eu não tenho ciúmes, se é isso que você enxerga. Eu só te considero uma enorme vadia por tê-lo colocado no mais profundo poço de sofrimento e ter me feito passar dias e mais dias tentando aconselhar, sarar e suprir todas as angústias e mágoas dele, e quando tudo parecia esquecido, subitamente a Vossa Senhoria surgir de novo e dizer que ele tinha mais uma chance.
Diga-me, por que isso? Você quer mesmo convencer que amor pode ser aprendido?
Você não tem que me provar nada mas, querida vadia, a sua falta de amor está presente na sua face cruelmente doce, que por tempos o enganou (e ainda engana).
No máximo sente um afeto que, na minha percepção, só pode ser fruto de sua imensa dó da situação atual e contínua daquele pobre humano do qual você tira proveito.
Acha justo deixá-lo desenvolver esse amor e pensar que o vive a cada dia, cada vez mais, enquanto àquele você suporta e engana na mesma proporção?
Não dê falsas esperanças. Ele não merece. E nem eu, que sou aquela que ouvirá todos os lamentos quando o coração dele você decidir estraçalhar, até que ele se torne homem maduro o suficiente e consiga perceber que Deus escreve por linhas tortas, mas nem tão tortas, espinhosas, traçoeiras e maléficas assim.
No fim de tudo, você nunca o merecerá. Felizmente pra ele, que um dia enxegará que na vida procuramos alguém para estar ao lado, e não acima, como ele te posiciona, erroneamente.
Viva bem(,) longe de mim.
Grata."