22.1.13

O ser humano e sua eterna capacidade de complicar as coisas



Relacionamentos. Vidas. Aquele contrato de aluguel. Aquela simples ida à chácara do avô de sua noiva. Contas. Casa. Famílias. A arte de ser complicado é quase a arte de ser humano.

Muitas vezes já vi citarem as mulheres como as grandes embaixadoras desta característica aqui na Terra, mas tenho que discordar. Não por ser um exemplar delas, mas por entender o real motivo por detrás daquilo que parece “complicação”. A verdade é que mulheres (ou homens, até) que complicam as coisas são só pessoas que testam antes todas as possibilidades que rumam a algo errado, no intuito de acertar sempre.

Viram? Não é tão complicado ser complicado. A essência é boa e motivadora quase sempre. Com exceção de...

Aquele cara com o qual sempre parece impossível a ida de sua “namorada” a casa dos pais. Ou aquela garota que é liberal e nada enciumada, que libera seu homem pro bar com amigos na quarta-feira à noite, mas o vigia pela janela até perdê-lo de vista e checa o inbox do celular dele quando ele chega e pensa que ela está lindamente adormecida. Ou sua sogra, com aquela cara de coitada e inocente, que teima em ficar citando os bens e qualidades de todos ex que já passaram por aquela casa e faz você se sentir magicamente diminuído e humilhado. E aquele caixa que sempre te dá o troco em forma de balinha.
“Posso pagar em balinhas?” Realmente, às vezes dá vontade de dizer.

Surpreende-me o grande volume de pessoas que complicam as coisas por medo de estas se tornarem complicadas.
OK. Isso não faz sentido, mas é o que mais acontece.
Ou você nunca contou uma mentirinha para sua mãe quando adolescente sobre o real destino de sua saída à noite, por medo de que ela desconfiasse dos bêbados e drogados que andavam perdidos por lá, quando na verdade a situação toda fudeu quando sua mentirinha foi se tornando uma bola de neve? Ou aquela mina estranha que uma vez você levou pra jantar, que teimava em sentar na mesa mais ao fundo do restaurante porque no fundo da mente dela passava o constrangimento que ela criaria caso você olhasse para outra bunda que passeava pelo hall do estabelecimento?

Não tem como fugir. Todos nós ainda teremos um acesso de complicação gerado por insegurança. Está em todos nós.
Insegurança de ser largado, de ser mal (ou não) compreendido, de ser humilhado, de perder, de SE perder, de se confundir...
Observar mais a fundo só piora as coisas.
Complicado é não ser complicado.

Mas então, finalmente concluí com minha mais recente amiga-irmã.
A vida de cada um não é complicada.
Cada um de nós simplifica seu dia-a-dia e sua essência com ser humano, porque assim o ato de viver se torna mais simples.
O complicado mesmo é ler o outro e essa capacidade, leitor (a), acredito que só Deus tenha.



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