20.12.11

Oi.
Sabe aquela vez que passamos a tarde tomando sorvete no topo da colina da casa de sua avó?
Ou daquela vez que você me ensinou a empinar pipa?
Quando subimos no prédio mais alto da cidade e enquanto nos bejávamos, nem percebemos o sol nascer?
Quando você quebrou me salto me pressionando contra aquela parede azul,
ou quando sua mãe se apaixonou loucamente por mim na primeira visita,
ou daquela tarde no parque, quando descobrimos um mar de flores azuis,
ou da morte do Max, meu pequeno cachorrinho?
Das minhas quedas de sua bicicleta velha, dos meus óculos escuros quebrados, ou de quando quase fiquei careca?
De meu desmaio repentino depois de tanto brincar no playground com minha pequena priminha,
de minha nota vermelha em física,
de minha festa de 15,
ou de quando descobri que Ratatouille era meu filme favorito?
Não, você não sabe.
Porque eu nunca deixei que você estivesse lá.
E agora você não me deixa estar aí.

Saudades,

De: Sempre sua.


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